Em julho de 2025, astrônomos detectaram um visitante raro em nosso céu: o cometa interestelar 3I/ATLAS. Este objeto extraordinário é apenas o terceiro objeto interestelar já confirmado a visitar nosso sistema solar, oferecendo uma oportunidade única para estudar um mensageiro cósmico de outro sistema estelar. Enquanto o cometa continua sua jornada pelo nosso sistema solar, cientistas e observadores do céu acompanham com entusiasmo este raro fenômeno astronômico.
Imagem do cometa 3I/ATLAS capturada pelo telescópio Hubble em julho de 2025
O 3I/ATLAS é um cometa interestelar que se originou fora do nosso sistema solar. Seu nome tem um significado específico: o “3I” indica que é o terceiro objeto interestelar confirmado (após 1I/’Oumuamua e 2I/Borisov), enquanto “ATLAS” refere-se ao sistema de telescópios que o descobriu – o Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System.
Diferente dos cometas comuns que orbitam o Sol em trajetórias elípticas, o 3I/ATLAS segue uma órbita hiperbólica, confirmando sua origem interestelar. Sua velocidade e trajetória indicam que ele veio de outro ponto da nossa galáxia e está fazendo uma visita única ao nosso sistema solar.
“Provavelmente temos ainda alguns meses e nunca mais veremos este objeto. Por isso, estamos desesperados para conseguir o máximo de dados que pudermos, enquanto for possível.” – Professor Chris Lintott, Universidade de Oxford
As observações realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble em agosto de 2025 sugerem que o diâmetro do 3I/ATLAS pode variar entre 440 metros e 5,6 quilômetros. Quando foi descoberto, o cometa viajava pelo espaço a uma velocidade impressionante de aproximadamente 61 quilômetros por segundo.
Telescópio ATLAS no Chile, responsável pela descoberta do cometa 3I/ATLAS
O cometa 3I/ATLAS foi descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio do projeto ATLAS no Chile. Este sistema de telescópios, financiado pela NASA, foi originalmente projetado para detectar asteroides potencialmente perigosos, mas acabou encontrando este raro visitante interestelar.
Inicialmente, o objeto apareceu como uma estrela muito tênue de 20ª magnitude, localizada a aproximadamente 4,5 bilhões de quilômetros do Sol. Já no dia seguinte à descoberta, cálculos orbitais revelaram que sua trajetória não era fechada, mas hiperbólica, indicando sua origem fora do nosso sistema solar.
Os astrônomos acreditam que o 3I/ATLAS se formou durante o nascimento de um sistema estelar distante e viaja pelo espaço interestelar há bilhões de anos. Um estudo recente sugeriu que sua idade poderia ser superior a 7 bilhões de anos, o que o tornaria mais antigo que o nosso próprio Sistema Solar, que surgiu há “apenas” 4,6 bilhões de anos.
O cometa veio até nós da direção da constelação de Sagitário, onde fica o centro da nossa galáxia, a Via Láctea.
A maioria dos cometas que observamos no céu noturno pertence ao nosso Sistema Solar. Eles se formaram em regiões distantes como a Nuvem de Oort ou o Cinturão de Kuiper e seguem órbitas elípticas em torno do Sol.
Um cometa interestelar, por outro lado, tem uma história completamente diferente. Ele se forma em outro sistema planetário e recebe um “empurrão” gravitacional tão forte de planetas ou estrelas vizinhas que é ejetado para sempre. A partir daí, vaga pela galáxia durante milhões ou até bilhões de anos, até que, por puro acaso, cruza o Sistema Solar.
Essa chance de encontro é extremamente pequena, o que explica por que apenas três objetos interestelares foram identificados até hoje, incluindo o 3I/ATLAS.
Trajetória do cometa 3I/ATLAS através do nosso sistema solar
Composição química do cometa 3I/ATLAS baseada em análises espectroscópicas
As observações realizadas por diversos telescópios e sondas espaciais revelaram informações fascinantes sobre a composição do 3I/ATLAS. Os dados coletados pelo Telescópio Espacial James Webb e outras missões indicam a presença de grandes quantidades de dióxido de carbono no cometa.
Curiosamente, o 3I/ATLAS parece ser rico no elemento metálico níquel – uma observação que alimentou teorias sobre sua possível origem artificial, embora já tenha sido detectado níquel em outros cometas, incluindo o cometa interestelar 2I/Borisov.
Em outubro de 2025, o observatório Swift da NASA detectou vapor d’água no cometa – a primeira detecção confirmada deste composto em um objeto interestelar, reforçando as semelhanças com cometas do nosso próprio sistema solar.
Mudança de coloração observada no cometa 3I/ATLAS entre setembro e novembro de 2025
À medida que o 3I/ATLAS se aquecia em sua viagem em direção ao Sol, ele exibiu aceleração não gravitacional – movendo-se com mais rapidez do que seria esperado apenas pela influência da gravidade. Este fenômeno, comum em cometas, ocorre quando parte do material se transforma de gelo sólido em gás, emitindo jatos que agem como propulsores.
Um aspecto intrigante do 3I/ATLAS foi sua mudança de coloração, passando de um tom avermelhado para azulado. Embora este fenômeno tenha alimentado teorias sobre uma possível origem artificial, os astrônomos apontam que existem diversas explicações naturais para esta alteração, possivelmente relacionadas a mudanças químicas na superfície do cometa.
“O que realmente queremos é descobrir do que é composta a parte interna do cometa.”
Observações recentes sugerem que o 3I/ATLAS pode ter sido transformado por raios cósmicos galácticos durante sua longa jornada entre as estrelas. O que vemos agora pode não ser a superfície original do cometa, mas uma espécie de “casca alterada” escondendo os antigos gelos e poeira do sistema onde ele nasceu.
Cientistas analisando dados coletados sobre o cometa 3I/ATLAS
Visitantes interestelares como o 3I/ATLAS são tesouros para a ciência, pois atuam como mensageiros naturais de outros sistemas estelares. Diferente dos cometas locais, formados em nosso próprio Sistema Solar, esses objetos nasceram em torno de estrelas diferentes e vagaram pela galáxia por bilhões de anos até chegarem aqui.
Estudar o 3I/ATLAS permite que os astrônomos comparem como planetas e cometas se formam em condições distintas. As observações mostram que sua composição inclui água e dióxido de carbono – os mesmos ingredientes presentes em muitos cometas do Sistema Solar. Isso sugere que a “receita” para formar cometas pode ser surpreendentemente similar em toda a galáxia.
O estudo de objetos interestelares como o 3I/ATLAS nos ajuda a entender melhor a formação de sistemas planetários e a composição química de diferentes regiões da nossa galáxia.
Como este é apenas o terceiro objeto interestelar já detectado, cada nova descoberta é extremamente valiosa. O astrônomo Chris Lintott observa: “Acreditamos que existam bilhões de bilhões de bilhões deles na galáxia e observamos apenas três. Por isso, é cedo demais para dizermos se ele é incomum.”
Com o desenvolvimento de novos e poderosos telescópios, como o Observatório Vera Rubin no Chile, os cientistas esperam encontrar dezenas de outros objetos interestelares na próxima década, permitindo uma compreensão mais ampla sobre a diversidade destes mensageiros cósmicos.
Localização do cometa 3I/ATLAS na constelação de Leo em dezembro de 2025
Quando foi descoberto em julho de 2025, o cometa 3I/ATLAS era extremamente fraco, com magnitude aproximada de 18. Em setembro, havia brilhado até magnitude 14-15. Após sua passagem próxima ao Sol no final de outubro, o cometa surpreendeu os astrônomos ao brilhar muito mais rápido do que o esperado, atingindo magnitude 9-10.
Em dezembro de 2025, o brilho do cometa diminuiu para magnitude 13-15, colocando-o no limite do alcance de telescópios amadores de médio porte. Mesmo nestes níveis, o 3I/ATLAS continua sendo o objeto interestelar mais brilhante já observado, embora agora seja principalmente um alvo para observadores dedicados.
Em dezembro de 2025, o cometa 3I/ATLAS está cruzando a constelação de Leo, visível nas horas que antecedem o amanhecer. A melhor oportunidade para observá-lo será em torno do dia 19 de dezembro, quando atingirá sua maior aproximação da Terra, embora a uma distância segura de 270 milhões de quilômetros.
O cometa 3I/ATLAS continuará enfraquecendo à medida que se afasta do Sol. A partir de janeiro-fevereiro de 2026, será observável apenas por astrônomos profissionais com equipamentos avançados.
Professor Avi Loeb, de Harvard, que propôs teorias alternativas sobre o 3I/ATLAS
Desde sua descoberta, o cometa 3I/ATLAS gerou algumas controvérsias e teorias alternativas sobre sua natureza. O astrônomo de Harvard Avi Loeb, conhecido por sugerir que o primeiro objeto interestelar descoberto, ‘Oumuamua, poderia ser de origem artificial, também questionou se o 3I/ATLAS seria realmente um cometa comum.
Loeb apontou características incomuns como seu brilho peculiar, trajetória precisa pelo Sistema Solar e ausência inicial de clara liberação de gases, argumentando que o objeto não se comportava como um cometa típico. Em atualizações posteriores, destacou sua estabilidade inesperada e grande massa, especulando sobre possíveis origens artificiais.
A maioria dos astrônomos, no entanto, não se convenceu das teorias alternativas. Observações do Telescópio Espacial Hubble, do observatório SPHEREx e das sondas de Marte da NASA e ESA mostram sinais de um cometa clássico: um pequeno núcleo gelado, uma coma rica em dióxido de carbono, jatos de vapor d’água e até uma rara anticauda causada pela geometria de observação.
A NASA e a comunidade científica enfatizam que todas as observações feitas até agora podem ser explicadas por fenômenos naturais, sem necessidade de recorrer a origens artificiais ou alienígenas.
Comparação entre os três objetos interestelares conhecidos: ‘Oumuamua, 2I/Borisov e 3I/ATLAS
| Característica | 1I/’Oumuamua (2017) | 2I/Borisov (2019) | 3I/ATLAS (2025) |
| Tipo | Asteroide/objeto rochoso | Cometa | Cometa |
| Tamanho estimado | 100-1000m, formato alongado | 0,4-1km | 0,44-5,6km |
| Coma/Cauda | Não detectada | Proeminente | Presente, com anticauda |
| Composição | Rochosa, rica em carbono | Rica em monóxido de carbono | Rica em dióxido de carbono e níquel |
| Velocidade | 26,3 km/s | 32 km/s | 61 km/s |
| Maior aproximação do Sol | 0,25 UA | 2,0 UA | 1,4 UA |
| Maior aproximação da Terra | 0,16 UA | 1,9 UA | 1,8 UA |
O 3I/ATLAS apresenta características que o diferenciam dos dois objetos interestelares anteriormente descobertos. Enquanto ‘Oumuamua parecia ser um objeto rochoso sem atividade cometária visível, o 3I/ATLAS, assim como o 2I/Borisov, exibe comportamento típico de cometa, com coma e cauda.
No entanto, o 3I/ATLAS se destaca por seu tamanho potencialmente maior e sua velocidade superior. Sua composição química também apresenta particularidades, como a presença significativa de níquel, que gerou debates na comunidade científica.
Estas diferenças entre os três objetos interestelares conhecidos destacam a diversidade de corpos que podem existir no espaço interestelar e a importância de continuar estudando estes raros visitantes para ampliar nossa compreensão sobre a formação e evolução de sistemas planetários em nossa galáxia.
Observatório Vera Rubin no Chile, que ajudará a detectar mais objetos interestelares
Com o desenvolvimento de novos e poderosos telescópios, como o Observatório Vera Rubin no Chile, os astrônomos preveem que iremos encontrar dezenas de outros objetos interestelares na próxima década. Estas futuras descobertas permitirão uma compreensão mais ampla sobre a diversidade destes mensageiros cósmicos.
O estudo de múltiplos objetos interestelares possibilitará que os cientistas determinem quais tipos de estrelas formam planetas e quais composições químicas são comuns em diferentes regiões da galáxia. Isso ajudará a entender melhor como o nosso próprio Sistema Solar se enquadra neste contexto mais amplo.
A International Asteroid Warning Network (IAWN) já anunciou uma campanha especial de astrometria para o 3I/ATLAS, que vai de novembro de 2025 a janeiro de 2026. Esta iniciativa demonstra o interesse crescente da comunidade científica em coordenar esforços globais para estudar objetos interestelares.
Não há motivo para preocupação. O cometa 3I/ATLAS passará pela parte interna do nosso sistema planetário, mas permanecerá muito distante da Terra. Sua maior aproximação ocorrerá em 19 de dezembro de 2025, a uma distância de aproximadamente 270 milhões de quilômetros, quase o dobro da distância média entre a Terra e o Sol.
Após sua maior aproximação do Sol no fim de outubro de 2025, o 3I/ATLAS iniciou sua viagem de volta ao espaço interestelar. Viajando a cerca de 30 km/s em uma trajetória hiperbólica, ele se move rápido o suficiente para escapar completamente da gravidade do Sol. O cometa cruzará além da órbita de Júpiter até março de 2026 e no início da década de 2030 terá deixado a região planetária do Sistema Solar.
O nome 3I/ATLAS segue o sistema de nomenclatura da União Astronômica Internacional (IAU). O “3I” indica que é o terceiro objeto interestelar confirmado (após 1I/’Oumuamua e 2I/Borisov), enquanto “ATLAS” refere-se ao projeto de telescópios que o descobriu – o Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System. O cometa também recebeu a designação provisória C/2025 N1 (ATLAS), seguindo as regras padrão para cometas não periódicos.
Muito provavelmente, o 3I/ATLAS é um cometa natural. Ele possui um núcleo gelado, libera gás e poeira, e desenvolve coma e cauda – comportamento clássico de cometa. Embora algumas características incomuns tenham alimentado especulações sobre uma possível origem artificial, a NASA e a maioria dos astrônomos enfatizam que todas as observações podem ser explicadas por fenômenos naturais, sem necessidade de recorrer a origens alienígenas.
Sua trajetória hiperbólica foi a primeira grande pista. Diferente dos cometas do Sistema Solar que seguem órbitas elípticas fechadas em torno do Sol, o 3I/ATLAS segue um caminho aberto, com velocidade e excesso de energia característicos de objetos interestelares. Cálculos orbitais confirmaram que, quando sua trajetória é traçada para o passado, o cometa claramente se origina de fora do nosso Sistema Solar.
Representação artística do cometa 3I/ATLAS em sua jornada pelo espaço interestelar
O cometa 3I/ATLAS representa uma oportunidade extraordinária para a ciência. Como apenas o terceiro objeto interestelar já detectado, ele nos oferece uma janela única para estudar a composição e as características de um mensageiro cósmico vindo de outro sistema estelar.
Sua jornada pelo nosso Sistema Solar é breve – uma visita única que nunca se repetirá. À medida que o cometa se afasta do Sol e continua sua viagem eterna pela galáxia, ele leva consigo os segredos de sua origem distante, deixando para trás apenas os dados que conseguimos coletar durante sua passagem.
Cada novo objeto interestelar descoberto amplia nossa compreensão sobre a formação de sistemas planetários e a diversidade de corpos celestes que existem além das fronteiras do nosso Sistema Solar. O 3I/ATLAS, com suas características peculiares e sua rica composição química, certamente contribuirá significativamente para este conhecimento em expansão.
Enquanto olhamos para o céu e contemplamos este visitante de outro sistema estelar, somos lembrados da vastidão do cosmos e das inúmeras maravilhas que ainda aguardam descoberta nas profundezas do espaço.
Introdução: Pedras sagradas mitologia indígena americanaImagina descobrir que as pedras sob nossos pés guardam não…
Introdução: Espíritos e demônios na MesopotâmiaImagina descobrir um universo obscuro onde espíritos e demônios moldam…
Introdução: Divindades protetoras e o contexto urbano mesopotâmico Imagina descobrir que, nas vastas planícies da…
Introdução: sonhar com uma cidade onde os relógios nunca funcionamImagina encontrar-se em uma cidade onde…
Introdução aos templos perdidos na mitologia romana Nas sombras do passado glorioso de Roma, os…
Introdução: Dióscuros mitologia e relevânciaNas sombras do Olimpo, poucas histórias capturam tão profundamente a dualidade…